sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Diferenças entre dia e dia
“Você não bebe, né?” Uma simples pergunta, a resposta positiva e uma discussão que me deixou chateado. Foi assim na última quinta-feira, na academia onde faço musculação, com o recepcionista de lá – ele é crente da Assembléia de Deus. Quando o assunto foi o Carnaval, ele negou que bebesse – e acreditava que eu estava no mesmo barco. Deduziu errado: para mim, uma taça de vinho ou um copo de cerveja são tão equivalentes a um copo de suco ou uma lata de refrigerante. São apenas bebidas, incapazes de preencher as lacunas da alma e de criar vínculos de dependência entre elas e a minha pessoa.
Mas nem todo mundo no Reino de Deus pensa assim. Muitos só conseguem ver o lado negativo de muitas coisas, se abstendo delas e vivendo uma fé legalista. Respeito o direito que alguns irmãos de fé têm de abraçar doutrinas para não cair em pecado. Porém, nem todo mundo é igual. Nem todo mundo é alcoólatra, ou fumante, ou adúltero, ou fofoqueiro, ou qualquer outro adjetivo oriundo de um pecado praticado com certa freqüência. Isto deve ficar bem claro.
Paulo de Tarso costumava chamar estes irmãos de “fracos”. Geralmente novos em sua caminhada com o Senhor, eles não têm maturidade suficiente para reconhecer algumas liberdades que temos em Cristo. Para eles, a vida com Deus se resume a “pode” e “não pode”. Não obstante, optam por abraçar o ascetismo, e em muitos casos se assemelham aos fariseus em suas condutas – aí é que está o perigo.
Mas não devemos condená-los por isto. A liberdade em Cristo é fruto da maturidade, conquistada a cada dia em nosso relacionamento de obediência a Deus. Ninguém nasce tão maduro a ponto de discernir coisa por coisa com maturidade e liberdade: esta capacidade não vem de nós mesmos. Ela é conquistada, aperfeiçoada, a ela é acrescentada um pouco mais com o passar do tempo.
Na discussão que eu tive, senti que fui condenado pelo meu humilde irmãozinho, que se converteu há quatro anos. Mas não posso negar que muito do que eu falei e pensei naquele momento foi fruto de minha arrogância, quando eu me sentia superior por poder usufruir de maneira sadia da liberdade em Cristo. Naquele momento, as nossas diferenças deram origem a uma divisão, o que as Escrituras reprovam veemente. E fui pra casa de cabeça quente.
Chegando a minha casa, eis que tudo muda. Só o Espírito Santo de Deus pra fazê-lo. Meditando em Romanos, Deus falou ao meu coração através do capítulo 14. Uma passagem fantástica e esclarecedora. Paulo pede para acolhermos o débil na fé, aquele cujas consciências não dão vazão à liberdade que há em Cristo. É o crente que “faz diferença entre dia e dia”, que ainda estão ligados aos caprichos da lei. Entretanto, apesar de suas fraquezas, Jesus também morreu por eles, pois o seu reino está acima da comida e da bebida, do beber e do não-beber.
Discussões como estas são fúteis e nem deveriam existir. Há coisas mais importantes a tratar no Reino. Mas enquanto estas diferenças existirem, elas deverão ser respeitadas, como em um acordo mútuo entre o que “crê que de tudo pode comer” e o que “come legumes”. Este é o chamado para vivermos em unidade. Deixemos as divisões para aqueles que estão no mundo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
-
O Brasil se revoltou no final do ano passado com uma jovem enfermeira que matou um yorkshire a pancadas em Goiânia. Após ter ceifado a ...
-
Na esteira do pensamento paralelo de Dostoiévski, que afirma que, se Deus não existe, tudo é permitido, podemos dizer também que a...
-
A oração não é um dever piedoso, que faz parte de seguir a Jesus, mas é pesado serviço de guerra. Deus nos prometeu bênçãos ilimitadas na su...

Nenhum comentário:
Postar um comentário