quarta-feira, 31 de março de 2021

Dica de leitura - Gente Cansada de Igreja (Israel de Azevedo)

Nossa dica de leitura desta semana é o livro Gente Cansada de Igreja (Israel de Azevedo), no qual o autor escreve para esse tipo de gente: gente cansada de fazer coisas na igreja e receber em troca críticas e ingratidão; cansadas por não terem espaço para fazer nada; cansadas de esperar coerência entre discurso e prática, simplesmente, gente cansada de tudo. O autor não se furta de admitir os problemas básicos que afetam toda igreja – desunião, inação, autoritarismo da liderança e, sobretudo, o pecado –, mas lembra que a igreja, como Corpo de Cristo, ainda é o melhor lugar para o cristão.

Sinopse: 
“Não vou mais à igreja!”; “Estou dando um tempo porque cansei de falsidade!”; “Por que preciso ir aos cultos se posso orar e adorar a Deus aqui mesmo, em minha casa?” Decisões e questionamentos como estes são cada vez mais comuns no segmento evangélico brasileiro. Nos últimos tempos, mais e mais crentes têm abandonado suas igrejas, insatisfeitas com o rumo de sua vida espiritual, com a liderança eclesiástica, com os irmãos na fé, com a falta de estacionamento no templo e até mesmo com a precariedade do departamento infantil. Motivos não faltam, sejam razoáveis ou não; mas o fato é que a quantidade de “desigrejados” – é, já existe até um termo para defini-los – não para de crescer. Eles não são, exatamente, crentes desviados, que abandonaram a fé e caíram no mundo. Mas o caminho que escolheram, longe da comunhão, é arriscado, e mesmo que não os leve a deixar o Evangelho, certamente vai privá-los de muitas  bênçãos que ainda acontecem na boa e velha igreja. E o pior é que correm o risco de ficar exatamente como mostra a imagem da capa: fósforos apagados.


O Autor:
Nascido em 1952, Israel Belo de Azevedo construiu uma sólida carreira acadêmica e ministerial. Desde 1999, Israel é pastor da Igreja Batista Itacuruçá, no bairro carioca da Tijuca. Foi professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, onde atualmente leciona e ocupa o cargo de diretor geral. Trabalhou na ONG cristã Visão Mundial; na Universidade Metodista de Piracicaba, onde foi professor e editor de livros e revistas científicas e na Universidade Gama Filho, onde foi professor e diretor do curso de comunicação e vice-reitor acadêmico.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Dica de leitura - O Grande Privilégio de Fazer Parte da Grande Comissão (Paul Washer)


Nossa dica de leitura desta semana é o livro O Grande Privilégio de Fazer Parte da Grande Comissão (Paul Washer), que trata-se da adaptação transcrita e traduzida da pregação original feita pelo autor na First Baptist Church Powell (Knox - Tennessee, Estados Unidos).

Sinopse:
Pai, venho diante de Ti em nome do Teu Filho. Oro para que o Senhor possa glorificar a Si mesmo nas coisas que serão expressas aqui, para a obediência do Teu povo. Oro para que Cristo possa ser honrado. Senhor, eu oro para que este ensino aja nas vidas de quem tiver acesso a ele, não somente amanhã, mas através dos anos que virão.
Que Tua Igreja cresça cada vez mais na Verdade e na devoção, sempre reformando, sempre mudando, sempre buscando ser mais agradável a Ti. Senhor, tome Tua Palavra e a use no coração dos homens. Em Nome de Jesus, amém.

O autor: Paul David Washer (nascido em 1961) é mestre em Divindade pelo Southwestern Theological Seminary. Foi missionário no Peru por 10 anos, período em que fundou a Sociedade Missionária HeartCry, com o objetivo de apoiar plantadores peruanos de igreja. O trabalho da HeartCry sustenta hoje mais de 80 missionários indígenas (missionários da própria cultura) em 15 países diferentes pela Europa Oriental, América do Sul, África, Ásia e Oriente Médio.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Dica de Leitura - Pecado Sexual (Mark Driscoll)


Nossa dica de leitura desta semana é o livro Pecado Sexual (Mark Discroll), que mostra aos cristãos, de forma muito clara, como eles podem, através de atitudes e da ajuda de Cristo, se libertarem da escravidão do pecado sexual.



Sinopse:

Arrependa-se rapidamente e continue lutando. Quando você peca, arrependa-se. Peça perdão a Deus, a seu cônjuge, seus amigos cristãos de prestação de contas, o seu pequeno grupo, rapidamente. Não deixe o tempo passar. Você vai entrar em mais pecado, vergonha, condenação e acusação demoníaca. E você vai começar a legitimar o seu pecado. Vai ficar pior. Arrependa-se rapidamente. Volte para Jesus rapidamente. Diga aos outros a verdade de forma rápida e lute continuamente.



Pedro diz que temos desejos que estão em guerra contra a nossa alma. Paulo diz que nossa luta não é apenas contra carne e sangue. Não é apenas uma questão sexual. Estamos lutando contra potestades, principados e espíritos. Que Satanás e seus demônios estão por trás de tudo, e que eles estão realmente usando como isca a nudez, luxúria e prazeres que são ilegais e inapropriados. E Satanás quer que agente morda a isca e que negligenciemos a verdade de que há um gancho, e vamos ser enovelados em morte. É uma luta real.



O autor:

Mark A. Driscoll (nascido em 11 de outubro de 1970) é um pastor e autor norte-americano. É pastor e co-fundador da igreja Mars Hill Church em Seattle, Washington, co-fundou a Rede Atos 29 e tem contribuído para a seção "Fé e Valores" do jornal The Seattle Times. Ele ajudou a iniciar A Ressurgência, um repositório de recursos teológicos missionário.



quarta-feira, 24 de março de 2021

Onze

Aqui estão onze "provérbios", nascidos de onze inquietações que eu tive, que creio eu que podem ajudar-nos a viver melhor aquilo que Deus quer para nós: ser igreja.


1- Igreja não é o local que nós vamos, mas aquilo que somos. Somos igreja em casa, no trabalho, na universidade, na rodinha de amigos, no jogo do Flamengo. E inclusive na própria igreja.


2- Os meios não são mais importantes do que os fins. Aquilo que deu certo no passado como estratégia pode não ser mais adequado para o Reino de Deus em plena era dos tablets. Portanto, se você acha que santidade é estar congelado no passado, se toque.


3- Evangelizar é uma coisa. Outra coisa é querer converter alguém ao gueto cristão, tentando, inclusive, empurrar a cultura gospel goela abaixo nas pessoas.


4- Às vezes eu tomo uma - eu disse UMA - taça de vinho escutando Miles Davis, B. B. King, Mozart, Chico ou Queen. E não estou sozinho neste barco. Mas se você acha que estou pecando a ponto de merecer o quinto dos infernos, fique à vontade para me apedrejar. E reveja seus gostos também... rsrs


5- Se você não dizima nem oferta porque segue o estereótipo de que todo pastor é ladrão, então saia da igreja. Afinal, o pastor também é trabalhador como você, e é a ele a quem você recorre quanto o bicho pega.


6- O homossexualismo é pecado, mas se sua militância cristã se resume somente a condenar os "sodomitas", reveja seus conceitos e seu coração.


7- Nem sempre igreja grande é sinônimo de sucesso. Nem sempre comunidade é sinônimo de comunidade. Pecado existe em qualquer uma delas. Fique à vontade para escolher uma para congregar e respeite a decisão do seu irmão.


8- Cuidado com o pensamento maniqueísta "nós x eles", presente em nosso meio e que deve ser extirpado como um câncer. Às vezes o "ímpio" diz algumas verdades que deveríamos ouvir, enquanto que lutamos para esconder a sujeira debaixo do tapete.


9- Somos políticos. Temos o TOTAL direito de protestar quando algum projeto de lei de cunho autoritário é votado. Pagamos nossos impostos e somos de carne e osso como qualquer um; portanto, somos parte da democracia.


10- Por que não se envolver em ONGs, causas ambientais, partidos políticos e mestrados e doutorados?


11- Leia. Pense. Faça exercícios físicos. Alimente-se bem. Durma bem também. Não se afaste de sua família. Ria. Se você for casado, faça amor com sua esposa. Cuidado com as telenovelas e com as fofocas. Afaste-se do Big Brother Brasil. Vá... E não peques mais.

terça-feira, 16 de março de 2021

Dica de Leitura - Nossa Suficiência em CRISTO (John MacArthur Jr.)

Nossa dica de leitura desta semana é um livro fantástico que identifica e confronta 3 tendências fatais que debilitam as igrejas modernas: A Psicologia (igrejas encantadas com a psicologia humanista), o Pragmatismo (estímulo ao entretenimento) e o Misticismo ("experiências fascinantes").


Sinopse:
Em nossos dias, temos testemunhado um terrível declínio nos valores da Igreja: números têm se tornado mais importantes do que a mensagem; as igrejas estão oferecendo uma religião de “entretenimento” no lugar da pregação do evangelho puro; os pastores estão recorrendo à indústria de marketing para ajudá-los a atrair pessoas para Cristo. Até que tudo isto mude, até que retornemos à nossa chamada de irmos ao mundo, sem timidez, e pregarmos o evangelho, a Igreja corre o risco de perder seu impacto sobre a sociedade. E esta seria a maior perda que nossa geração experimentaria.


O autor:
Fullerton John MacArthur, Jr. (nascido em 19 de junho de 1939) é um escritor cristão Norte-Americano e ministro, conhecido por seu programa de rádio intitulado Graça a você. MacArthur é um popular autor e conferencista, e tem servido como pastor-professor da Grace Community Church em Sun Valley, Califórnia, desde 1969.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Dica de Leitura - Chamado a Orar (Wim Malgo)

A oração não é um dever piedoso, que faz parte de seguir a Jesus, mas é pesado serviço de guerra. Deus nos prometeu bênçãos ilimitadas na sua Palavra, se orarmos. Por isso, todo o inferno se joga contra uma pessoa que ora. Paulo diz em 1 Timóteo 2.1: "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas...". Ele dá, portanto, lugar de destaque à oração; ele diz que a oração é a primeira, a maior, a mais importante. Por quê? Porque a nossa ação diária só tem conteúdo eterno na medida em que oramos, e porque Satanás ainda tem poder sobre todos os que não são pessoas de oração. Pessoas que oram vencem em meio à noite escura! Neste livro, o autor nos anima a travar a batalha da fé em oração, pois esta sempre foi descrita como a "chave para os tesouros de Deus". 


SOBRE O AUTOR: Wim Malgo (1922-1992), foi fundador da "Obra Missionária Chamada da Meia-Noite" e presidente da "Associação Beth-Shalom para Estudo Bíblico em Israel".

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Diferenças entre dia e dia





“Você não bebe, né?” Uma simples pergunta, a resposta positiva e uma discussão que me deixou chateado. Foi assim na última quinta-feira, na academia onde faço musculação, com o recepcionista de lá – ele é crente da Assembléia de Deus. Quando o assunto foi o Carnaval, ele negou que bebesse – e acreditava que eu estava no mesmo barco. Deduziu errado: para mim, uma taça de vinho ou um copo de cerveja são tão equivalentes a um copo de suco ou uma lata de refrigerante. São apenas bebidas, incapazes de preencher as lacunas da alma e de criar vínculos de dependência entre elas e a minha pessoa.


Mas nem todo mundo no Reino de Deus pensa assim. Muitos só conseguem ver o lado negativo de muitas coisas, se abstendo delas e vivendo uma fé legalista. Respeito o direito que alguns irmãos de fé têm de abraçar doutrinas para não cair em pecado. Porém, nem todo mundo é igual. Nem todo mundo é alcoólatra, ou fumante, ou adúltero, ou fofoqueiro, ou qualquer outro adjetivo oriundo de um pecado praticado com certa freqüência. Isto deve ficar bem claro.


Paulo de Tarso costumava chamar estes irmãos de “fracos”. Geralmente novos em sua caminhada com o Senhor, eles não têm maturidade suficiente para reconhecer algumas liberdades que temos em Cristo. Para eles, a vida com Deus se resume a “pode” e “não pode”. Não obstante, optam por abraçar o ascetismo, e em muitos casos se assemelham aos fariseus em suas condutas – aí é que está o perigo.


Mas não devemos condená-los por isto. A liberdade em Cristo é fruto da maturidade, conquistada a cada dia em nosso relacionamento de obediência a Deus. Ninguém nasce tão maduro a ponto de discernir coisa por coisa com maturidade e liberdade: esta capacidade não vem de nós mesmos. Ela é conquistada, aperfeiçoada, a ela é acrescentada um pouco mais com o passar do tempo.


Na discussão que eu tive, senti que fui condenado pelo meu humilde irmãozinho, que se converteu há quatro anos. Mas não posso negar que muito do que eu falei e pensei naquele momento foi fruto de minha arrogância, quando eu me sentia superior por poder usufruir de maneira sadia da liberdade em Cristo. Naquele momento, as nossas diferenças deram origem a uma divisão, o que as Escrituras reprovam veemente. E fui pra casa de cabeça quente.


Chegando a minha casa, eis que tudo muda. Só o Espírito Santo de Deus pra fazê-lo. Meditando em Romanos, Deus falou ao meu coração através do capítulo 14. Uma passagem fantástica e esclarecedora. Paulo pede para acolhermos o débil na fé, aquele cujas consciências não dão vazão à liberdade que há em Cristo. É o crente que “faz diferença entre dia e dia”, que ainda estão ligados aos caprichos da lei. Entretanto, apesar de suas fraquezas, Jesus também morreu por eles, pois o seu reino está acima da comida e da bebida, do beber e do não-beber.


Discussões como estas são fúteis e nem deveriam existir. Há coisas mais importantes a tratar no Reino. Mas enquanto estas diferenças existirem, elas deverão ser respeitadas, como em um acordo mútuo entre o que “crê que de tudo pode comer” e o que “come legumes”. Este é o chamado para vivermos em unidade. Deixemos as divisões para aqueles que estão no mundo.

domingo, 31 de janeiro de 2021

Peixes grandes e pequenos






Na esteira do pensamento paralelo de Dostoiévski, que afirma que, se Deus não existe, tudo é permitido, podemos dizer também que a pluralidade de deuses conspira contra a unidade do ser. A ausência de Deus tira do universo e da humanidade seu fundamento moral. Caso tudo quanto exista seja apenas e tão somente a matéria, a substância originária e permanente de toda a realidade, podemos viver como os peixes grandes que devoram os peixes pequenos. Quem deseja tomar a natureza como padrão para a organização social não tem razões para dar de comer a quem tem fome. O popular já expressou sua sabedoria egoísta: quanto menos somos, melhor passamos. Deixem morrer os pobres, que desapareçam as populações da periferia do mundo, assim teremos mais água, mais petróleo, mais condições de sustentabilidade para o mundo, diminuído o número de seu maior predador, a saber, o bicho homem.

Apenas a nocão de Deus como ser moral oferece à humanidade o fundamento da solidariedade indiscriminada. Essa é uma das grandezas do relato bíblico da criação: em Adão, todos os seres humanos são um, pois sobre todos repousa a dignidade divina. Jesus ensinou que assim como todas as moedas são identificadas pela imagem de César, também todos os seres humanos são identificados pela imago Dei.

O fundamento ético do universo e da humanidade repousa no amor, expressão do ser divino que a tudo dá origem. Isso implica necessariamente a compreensão de que a correlação que liga o homem a seu semelhante se realiza na compreensão de uma correlação superior, a que liga o homem a Deus e Deus ao homem, cuja síntese se revela no Cristo, Deus feito homem, único mediador entre Deus e o homens.

Essas são algumas razões porque, assim como a negação de Deus, a pluralidade de deuses inviabiliza a unidade do ser. Sendo verdadeiro que a relação do homem com Deus se manifesta na relação do homem com seu próximo, é imprescindível a pergunta a respeito do caráter desse Deus, que normatiza a relação entre os homens. Muitos deuses, muitas éticas. Muitas éticas equivale a éticas em conflito em busca de hegemonia. Como os deuses não brigam entre si, brigam seus representantes (ou se preferir, os deuses brigam entre si através de seus pretensos representantes). O monoteísmo cristão, que afirma a unidade de três pessoas numa única divindade, diz que Deus é amor, a comunhão harmônica e perfeita do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Qualquer Deus vestido com roupas diversas do amor é um ídolo, um falso Deus, um demônio. A dedução óbvia é que muitos deuses são artifícios para o surgimento de um único e outro deus que pretende rivalizar com o Deus vivo e verdadeiro. Esse outro deus atende pelo nome de ego humano, que, no caminho inverso do amor, mergulha para dentro de si na pretensão estúpida de afirmar a si mesmo como fundamento do universo e centro do mundo. A idolatria e a descrença, isto é, a afirmação de muitos deuses e a afirmação de Deus nenhum, são duas faces de uma mesma moeda: a absolutização do ego humano.

Uma vez que somente na relação com seu semelhante – com quem é um – o ser humano se realiza, e que somente Deus oferece o fundamento para a unidade da humanidade, toda negação do amor, que equivale ao afastamento do outro, equivale também à desintegração do ser. Em termos concretos, Deus nenhum e muitos deuses são uma e a mesma coisa.

(Por Ed René Kivitz. Disponível em http://edrenekivitz.com/blog/)

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Cidadãos de bem





O Brasil se revoltou no final do ano passado com uma jovem enfermeira que matou um yorkshire a pancadas em Goiânia. Após ter ceifado a vida do cachorro na frente de seu filho, as agressões foram filmadas e dispostas nas redes sociais, como o Youtube. O fato ganhou maiores proporções e virou notícia no país, causando comoção nacional. Somado aos constantes casos de violência contra animais – como o caso de Dalva Lima da Silva, 43 anos, que foi presa semana passada acusada de matar e ensacar dezenas de cães e gatos no interior de São Paulo -, ativistas e cidadãos comuns têm pedido um basta para a situação.


 Mas a revolta não se resume a tão-somente pedidos de justiça para os agressores-criminosos. Ela perpassa a clemência por eficiência no âmbito jurídico e atinge outras esferas da vida humana, gerando inúmeros debates. E um deles é a respeito da maldade humana: até onde ela vai? Os atos de crueldade contra bichos indefesos não atingem somente os pobres animais: na verdade, quando alguém agride e mata um destes, está assinando um atestado de linchamento público, para depois ser classificado como um monstro e ter sua humanidade figurando abaixo do tolerável. É pedir pra ser apedrejado.


 Assassinos de cães, serial killers e ditadores sanguinários jamais serão personae non gratae no convívio social. Pelo contrário: estão fadados ao rótulo de “escória da humanidade”, classificados como os piores seres humanos em uma classificação criada pelos seus semelhantes. Enquanto isso, do outro lado desta escala, aparecem os “cidadãos de bem”, as pessoas “normais” e “boas”, incapazes de dar um pontapé em um yorkshire ou coisa do tipo. São os que pagam suas contas em dia, acordam cedo aos domingos e feriados e não perturbam a vizinhança. São bons filhos, maridos e pais, e se relacionam de maneira sadia com seus vizinhos, colegas de trabalho e de futebol. De maneira alguma estas pessoas representam uma ameaça à sociedade; aliás, o “cidadão de bem” parece ser um ser imaculado – pelo menos nesta descrição.


Mas o “cidadão de bem” não é visto como merecedor somente do reconhecimento aqui na Terra. Ele merece mais, pensam alguns – e até ele mesmo. Ele merece ser salvo, ter um lugar no céu. E para isto ele não precisa crer em Deus: basta continuar sendo uma “boa pessoa”, sem roubar, matar ou estuprar alguém. Afinal, o inferno foi criado para os hitlers e pinochets da história, não é mesmo? Basta continuar sendo quem ele é, pessoa de bom coração para com os homens, animais e vegetais – menos para com Deus.


 Mas o que pensa Ele, criador dos céus para o qual este nobre cidadão anseia passar o seu post-mortem? Será que o “cidadão de bem” merece um galardão celestial, e que sua bondade é capaz de tocar profundamente o coração do Senhor a ponto de sensibiliza-Lo e permitir que ele seja salvo mesmo sendo um incrédulo? Eu diria que não – e tenho autoridade pra isso.


 Não há um justo sequer. É o que Ele diz em sua Palavra, em Romanos 3:10. Deus não nos vê como nós o fazemos, pois Ele conhece as nossas debilidades e sabe que dentro de nós há uma natureza inclinada para o pecado. Paulo, autor de várias epístolas do Novo Testamento, foi com certeza um destes assassinos abomináveis. Matador de cristãos, ele se converte e reconhece sua realidade ao afirmar que era o pior dos pecadores (1 Timóteo 1:15). Quem conhece o estilo paulino de escrever sabe que ele era chegado a hipérboles. Mas é necessário dizer também que este ex-fariseu, demasiado zeloso com a lei e as tradições de seus pais, viu que a sua justiça não era suficiente para alcançar virtudes divinas. Ao contrário: ela fez com que ele perseguisse e oprimisse cristãos inocentes. Saulo de Tarso se achava um “cidadão de bem”. Paulo sabia que era apenas mais um pecador.


 Portanto, meu amigo, se você é uma boa pessoa, parabéns. Continue assim, fazendo o bem a todos e se indignando ante todo tipo de crueldade. Mas saibas de uma coisa: suas qualidades e justiça JAMAIS serão suficientes para a salvação de sua alma. Muitos criminosos foram humildes e reconheceram a porca situação em que se encontraram. Sabiam que eram incapazes de salvar-se a si mesmo, e que não mereciam a salvação. Sabiam também que Jesus havia morrido por todos – inclusive pelos cidadãos de bem.