A oração não é um dever piedoso, que faz parte de seguir a Jesus, mas é pesado serviço de guerra. Deus nos prometeu bênçãos ilimitadas na sua Palavra, se orarmos. Por isso, todo o inferno se joga contra uma pessoa que ora. Paulo diz em 1 Timóteo 2.1: "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas...". Ele dá, portanto, lugar de destaque à oração; ele diz que a oração é a primeira, a maior, a mais importante. Por quê? Porque a nossa ação diária só tem conteúdo eterno na medida em que oramos, e porque Satanás ainda tem poder sobre todos os que não são pessoas de oração. Pessoas que oram vencem em meio à noite escura! Neste livro, o autor nos anima a travar a batalha da fé em oração, pois esta sempre foi descrita como a "chave para os tesouros de Deus".
SOBRE O AUTOR:
Wim Malgo (1922-1992), foi fundador da "Obra Missionária Chamada da Meia-Noite" e presidente da "Associação Beth-Shalom para Estudo Bíblico em Israel".
domingo, 28 de fevereiro de 2021
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Diferenças entre dia e dia
“Você não bebe, né?” Uma simples pergunta, a resposta positiva e uma discussão que me deixou chateado. Foi assim na última quinta-feira, na academia onde faço musculação, com o recepcionista de lá – ele é crente da Assembléia de Deus. Quando o assunto foi o Carnaval, ele negou que bebesse – e acreditava que eu estava no mesmo barco. Deduziu errado: para mim, uma taça de vinho ou um copo de cerveja são tão equivalentes a um copo de suco ou uma lata de refrigerante. São apenas bebidas, incapazes de preencher as lacunas da alma e de criar vínculos de dependência entre elas e a minha pessoa.
Mas nem todo mundo no Reino de Deus pensa assim. Muitos só conseguem ver o lado negativo de muitas coisas, se abstendo delas e vivendo uma fé legalista. Respeito o direito que alguns irmãos de fé têm de abraçar doutrinas para não cair em pecado. Porém, nem todo mundo é igual. Nem todo mundo é alcoólatra, ou fumante, ou adúltero, ou fofoqueiro, ou qualquer outro adjetivo oriundo de um pecado praticado com certa freqüência. Isto deve ficar bem claro.
Paulo de Tarso costumava chamar estes irmãos de “fracos”. Geralmente novos em sua caminhada com o Senhor, eles não têm maturidade suficiente para reconhecer algumas liberdades que temos em Cristo. Para eles, a vida com Deus se resume a “pode” e “não pode”. Não obstante, optam por abraçar o ascetismo, e em muitos casos se assemelham aos fariseus em suas condutas – aí é que está o perigo.
Mas não devemos condená-los por isto. A liberdade em Cristo é fruto da maturidade, conquistada a cada dia em nosso relacionamento de obediência a Deus. Ninguém nasce tão maduro a ponto de discernir coisa por coisa com maturidade e liberdade: esta capacidade não vem de nós mesmos. Ela é conquistada, aperfeiçoada, a ela é acrescentada um pouco mais com o passar do tempo.
Na discussão que eu tive, senti que fui condenado pelo meu humilde irmãozinho, que se converteu há quatro anos. Mas não posso negar que muito do que eu falei e pensei naquele momento foi fruto de minha arrogância, quando eu me sentia superior por poder usufruir de maneira sadia da liberdade em Cristo. Naquele momento, as nossas diferenças deram origem a uma divisão, o que as Escrituras reprovam veemente. E fui pra casa de cabeça quente.
Chegando a minha casa, eis que tudo muda. Só o Espírito Santo de Deus pra fazê-lo. Meditando em Romanos, Deus falou ao meu coração através do capítulo 14. Uma passagem fantástica e esclarecedora. Paulo pede para acolhermos o débil na fé, aquele cujas consciências não dão vazão à liberdade que há em Cristo. É o crente que “faz diferença entre dia e dia”, que ainda estão ligados aos caprichos da lei. Entretanto, apesar de suas fraquezas, Jesus também morreu por eles, pois o seu reino está acima da comida e da bebida, do beber e do não-beber.
Discussões como estas são fúteis e nem deveriam existir. Há coisas mais importantes a tratar no Reino. Mas enquanto estas diferenças existirem, elas deverão ser respeitadas, como em um acordo mútuo entre o que “crê que de tudo pode comer” e o que “come legumes”. Este é o chamado para vivermos em unidade. Deixemos as divisões para aqueles que estão no mundo.
domingo, 31 de janeiro de 2021
Peixes grandes e pequenos
Na esteira do pensamento paralelo de Dostoiévski, que afirma que, se Deus não existe, tudo é permitido, podemos dizer também que a pluralidade de deuses conspira contra a unidade do ser. A ausência de Deus tira do universo e da humanidade seu fundamento moral. Caso tudo quanto exista seja apenas e tão somente a matéria, a substância originária e permanente de toda a realidade, podemos viver como os peixes grandes que devoram os peixes pequenos. Quem deseja tomar a natureza como padrão para a organização social não tem razões para dar de comer a quem tem fome. O popular já expressou sua sabedoria egoísta: quanto menos somos, melhor passamos. Deixem morrer os pobres, que desapareçam as populações da periferia do mundo, assim teremos mais água, mais petróleo, mais condições de sustentabilidade para o mundo, diminuído o número de seu maior predador, a saber, o bicho homem.
Apenas a nocão de Deus como ser moral oferece à humanidade o fundamento da solidariedade indiscriminada. Essa é uma das grandezas do relato bíblico da criação: em Adão, todos os seres humanos são um, pois sobre todos repousa a dignidade divina. Jesus ensinou que assim como todas as moedas são identificadas pela imagem de César, também todos os seres humanos são identificados pela imago Dei.
O fundamento ético do universo e da humanidade repousa no amor, expressão do ser divino que a tudo dá origem. Isso implica necessariamente a compreensão de que a correlação que liga o homem a seu semelhante se realiza na compreensão de uma correlação superior, a que liga o homem a Deus e Deus ao homem, cuja síntese se revela no Cristo, Deus feito homem, único mediador entre Deus e o homens.
Essas são algumas razões porque, assim como a negação de Deus, a pluralidade de deuses inviabiliza a unidade do ser. Sendo verdadeiro que a relação do homem com Deus se manifesta na relação do homem com seu próximo, é imprescindível a pergunta a respeito do caráter desse Deus, que normatiza a relação entre os homens. Muitos deuses, muitas éticas. Muitas éticas equivale a éticas em conflito em busca de hegemonia. Como os deuses não brigam entre si, brigam seus representantes (ou se preferir, os deuses brigam entre si através de seus pretensos representantes). O monoteísmo cristão, que afirma a unidade de três pessoas numa única divindade, diz que Deus é amor, a comunhão harmônica e perfeita do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Qualquer Deus vestido com roupas diversas do amor é um ídolo, um falso Deus, um demônio. A dedução óbvia é que muitos deuses são artifícios para o surgimento de um único e outro deus que pretende rivalizar com o Deus vivo e verdadeiro. Esse outro deus atende pelo nome de ego humano, que, no caminho inverso do amor, mergulha para dentro de si na pretensão estúpida de afirmar a si mesmo como fundamento do universo e centro do mundo. A idolatria e a descrença, isto é, a afirmação de muitos deuses e a afirmação de Deus nenhum, são duas faces de uma mesma moeda: a absolutização do ego humano.
Uma vez que somente na relação com seu semelhante – com quem é um – o ser humano se realiza, e que somente Deus oferece o fundamento para a unidade da humanidade, toda negação do amor, que equivale ao afastamento do outro, equivale também à desintegração do ser. Em termos concretos, Deus nenhum e muitos deuses são uma e a mesma coisa.
(Por Ed René Kivitz. Disponível em http://edrenekivitz.com/blog/)
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
Cidadãos de bem
O Brasil se revoltou no final do ano passado com uma jovem enfermeira que matou um yorkshire a pancadas em Goiânia. Após ter ceifado a vida do cachorro na frente de seu filho, as agressões foram filmadas e dispostas nas redes sociais, como o Youtube. O fato ganhou maiores proporções e virou notícia no país, causando comoção nacional. Somado aos constantes casos de violência contra animais – como o caso de Dalva Lima da Silva, 43 anos, que foi presa semana passada acusada de matar e ensacar dezenas de cães e gatos no interior de São Paulo -, ativistas e cidadãos comuns têm pedido um basta para a situação.
Mas a revolta não se resume a tão-somente pedidos de justiça para os agressores-criminosos. Ela perpassa a clemência por eficiência no âmbito jurídico e atinge outras esferas da vida humana, gerando inúmeros debates. E um deles é a respeito da maldade humana: até onde ela vai? Os atos de crueldade contra bichos indefesos não atingem somente os pobres animais: na verdade, quando alguém agride e mata um destes, está assinando um atestado de linchamento público, para depois ser classificado como um monstro e ter sua humanidade figurando abaixo do tolerável. É pedir pra ser apedrejado.
Assassinos de cães, serial killers e ditadores sanguinários jamais serão personae non gratae no convívio social. Pelo contrário: estão fadados ao rótulo de “escória da humanidade”, classificados como os piores seres humanos em uma classificação criada pelos seus semelhantes. Enquanto isso, do outro lado desta escala, aparecem os “cidadãos de bem”, as pessoas “normais” e “boas”, incapazes de dar um pontapé em um yorkshire ou coisa do tipo. São os que pagam suas contas em dia, acordam cedo aos domingos e feriados e não perturbam a vizinhança. São bons filhos, maridos e pais, e se relacionam de maneira sadia com seus vizinhos, colegas de trabalho e de futebol. De maneira alguma estas pessoas representam uma ameaça à sociedade; aliás, o “cidadão de bem” parece ser um ser imaculado – pelo menos nesta descrição.
Mas o “cidadão de bem” não é visto como merecedor somente do reconhecimento aqui na Terra. Ele merece mais, pensam alguns – e até ele mesmo. Ele merece ser salvo, ter um lugar no céu. E para isto ele não precisa crer em Deus: basta continuar sendo uma “boa pessoa”, sem roubar, matar ou estuprar alguém. Afinal, o inferno foi criado para os hitlers e pinochets da história, não é mesmo? Basta continuar sendo quem ele é, pessoa de bom coração para com os homens, animais e vegetais – menos para com Deus.
Mas o que pensa Ele, criador dos céus para o qual este nobre cidadão anseia passar o seu post-mortem? Será que o “cidadão de bem” merece um galardão celestial, e que sua bondade é capaz de tocar profundamente o coração do Senhor a ponto de sensibiliza-Lo e permitir que ele seja salvo mesmo sendo um incrédulo? Eu diria que não – e tenho autoridade pra isso.
Não há um justo sequer. É o que Ele diz em sua Palavra, em Romanos 3:10. Deus não nos vê como nós o fazemos, pois Ele conhece as nossas debilidades e sabe que dentro de nós há uma natureza inclinada para o pecado. Paulo, autor de várias epístolas do Novo Testamento, foi com certeza um destes assassinos abomináveis. Matador de cristãos, ele se converte e reconhece sua realidade ao afirmar que era o pior dos pecadores (1 Timóteo 1:15). Quem conhece o estilo paulino de escrever sabe que ele era chegado a hipérboles. Mas é necessário dizer também que este ex-fariseu, demasiado zeloso com a lei e as tradições de seus pais, viu que a sua justiça não era suficiente para alcançar virtudes divinas. Ao contrário: ela fez com que ele perseguisse e oprimisse cristãos inocentes. Saulo de Tarso se achava um “cidadão de bem”. Paulo sabia que era apenas mais um pecador.
Portanto, meu amigo, se você é uma boa pessoa, parabéns. Continue assim, fazendo o bem a todos e se indignando ante todo tipo de crueldade. Mas saibas de uma coisa: suas qualidades e justiça JAMAIS serão suficientes para a salvação de sua alma. Muitos criminosos foram humildes e reconheceram a porca situação em que se encontraram. Sabiam que eram incapazes de salvar-se a si mesmo, e que não mereciam a salvação. Sabiam também que Jesus havia morrido por todos – inclusive pelos cidadãos de bem.
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Aqui estão onze "provérbios", nascidos de onze inquietações que eu tive, que creio eu que podem ajudar-nos a viver melhor aquilo...


